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Falar de Foucault, falar com Foucault

Alimento há um tempo uma vontade de falar de Foucault para quem não o conhece ou para quem queira conversar sobre seus feitos intelectuais. Mas não se trata apenas de uma divulgação de informações que popularize um tanto a história desse historiador. Antes, a intenção busca apontar usos e serventias dos feitos foucaultianos, pois reverbera em mim esse sentido: aquilo que dura em seu sentido está trabalhando.

Percebo Michel Foucault reverberando como um força em minha vida. Não como uma entidade fundamental e arbitrária a flexionar certezas para meus propósitos. Hoje, essa coisa que se faz palavras e pensamentos e chamo por Foucault é uma temporalidade. Algo que se atualiza e se virtualiza nas minhas experiências de problematizar a vida e querer nela a produção de bons encontros.

Falar de Foucault não é apresentar um olhar especialista ou se dispor um interlocutor privilegiado da sua existência. Falar de Foucault é uma vontade, que pode ser tomada também como uma necessidade. Não encontro uma metáfora para se fazer representação para o que chamo necessidade. Necessidade é o que não devo deixar de fazer, porque não posso deixar de fazer, então.

Comecei esse blog em 2017 e lá já era uma necessidade, mesmo que a produção e publicação dos textos não guardem uma regularidade. Daí, necessidade não se referir à sobrevivência, mas a um outro modo de produzir vida. E esse outro modo é que aponta para a segunda parte do título dessa postagem: falar com Foucault.

O trabalho de Foucault convoca companhia o tempo todo. Estar em companhia é como uma amizade, um compromisso que se faz em nome da vida. É bem diferente da relação que se tem com admiradores ou discípulos. Entendo que Michel Foucault não quis seguidores para seus ditos e escritos. Quis leitores, quis críticos, quis extensões, mas não assumiu o lugar de ordenação de uma lógica que lhe fosse própria. O seu pensamento não se permite sistematização. Não redundou em teorizações. E aí reside uma força singular de seu trabalho: a demanda por usos e atualizações.

Falar de Foucault e ao mesmo tempo falar com Foucault é o propósito de um projeto em curso na Universidade Federal de Sergipe, que se abriga no Coletivo Foucault Vivo. Esse projeto tem algumas frentes de trabalho como a edição desse blog e atividades de pesquisa, grupo de estudo e extensão, que se articulam com o trabalho e a história de Foucault.

Destaco a ideia de estar junto com estudantes do ensino médio conversando sobre os usos que se pode produzir com o estudo de Foucault. Um primeiro passo, nesse sentido é a conversa: Michel Foucault: para que serve a história e o que pode ser a história.

Adiante na lida e na necessidade de produzir companhias!